quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Adoçantes artificiais alteram a flora intestinal favorecendo a obesidade e a diabetes

Você sabia que a sacarina, o aspartame e a sucralose, frequentemente usados nas dietas de emagrecimento e pelos diabéticos, mais prejudicam do que ajudam?
Segundo as pesquisas modificam a flora intestinal facilitando o aumento de peso, o qual dificulta o controle do nível de açúcar no sangue e, portanto, aumenta o risco de diabetes tipo 2, segundo um comunicado do Instituto Weizmann de Rehovot (Israel) publicado na revista Nature.
Os adoçantes artificiais, ao contrário do açúcar, passam pelo aparelho digestivo sem serem digeridos. Por essa razão não adicionam calorias ao nosso organismo, mas, exatamente por essa mesma razão, chegam intactos até nossa flora intestinal - as bactérias que povoam nosso intestino grosso.
Tendo em conta que os alimentos que ingerimos regulam a flora intestinal e que essa flora regula a saúde, os presquisadores se perguntaram se os adoçantes artificiais poderiam ter algum efeito relevante.
Testes em cobaias
Para averiguar, realizaram uma série de testes em cobaias e “nos surpreendeu que o efeito fora tão grande”, declara Eran Segal, também codiretor da pesquisa do Instituto Weizmann. Posteriormente, realizaram dois estudos em pessoas que confirmaram os resultados.
Os testes em cobaias demostraram que quando um animal ingere sacarina, aspartame ou sucralose, o nível de açúcar no sangue sobe mais que quando ingere açúcar.
Demonstraram também que os adoçantes modificam a composição da flora intestinal. Concretamente, reduzem as bactérias do gênero Bacteroidetes - que são um antídoto contra a obesidade - e aumentam as do gênero Firmicutes.
Para certificar que a flora intestinal é a chave do efeito dos adoçantes sobre o nível de açúcar no sangue, foi realizado um transplante de bactérias intestinais de cobaias alimentadas com sacarina a outras cobaias que nunca haviam tomado sacarina. Os resultados vêm esclarendo as dúvidas: após o transplante o nível de açúcar no sangue disparou.
Testes com seres humanos: estudos e observações preliminares
Em humanos, os resultados estão sendo igualmente significativos. Num primeiro estudo foi avaliado o consumo de adoçantes artificiais numa amostra de 381 pessoas que responderam a uma pesquisa nutricional.
As respostas vêm revelando que, quanto mais frequente for o consumo de sacarina, maior parece ser o peso de uma pessoa e mais alto passa a ser o nível de açúcar no sangue. Além disso, o ganho de peso concentra-se na região abdominal, local mais prejudicial à saúde.
Ao realizar exames de sangue nos consumidores habituais de sacarina, foram observados níveis anormais e elevados de hemoglobina glicosilada (o que indica a concentração de açúcar no sangue nos três meses anteriores) e da enzima ALT (que aponta os danos hepáticos que os pesquisadores atribuem a um transtorno de fígado grasso).
Num segundo estudo, sete pessoas sãs que não eram consumidoras habituais de adoçantes artificiais passaram a tomar 360 mls diários de sacarina durante uma semana, uma dose considerada aceitável pela agência de Alimentos e Fármacos dos EUA.
Até o final da semana, quatro dos sete participantes no estudio teriam alterada sua capacidade de regular o nível de açúcar no sangue. A composição da sua flora intestinal também foi alterada ao longo da semana. Nos outros três participantes, a sacarina não teve nenhum efeito prejudicial ou benéfico.
Uma análise retrospectiva vem revelando que desde antes de iniciar o teste, as quatro pessoas prejudicadas pela sacarina teriam uma composição da flora intestinal distinta das outras três pessoas.
A pesquisas dão base para observar com mais detalhe os efeitos dos adoçantes artificiais sobre a saúde, em especial os 3 tipos analisados nesses estudos: a sacarina, o aspartame e a sucralose. É um alerta geral, mas os presquisadores advertem: dado os resultados anteriores que nem todas as pessoas reagem igual ao consumo, tampouco isso quer dizer que o açúcar seja menos ou mais prejudicial e substâncias como a stevia ainda não foram analisadas. Portanto, tudo está em desenvolvimento.

Fonte - Autor: Javier Monzón - 24/09/2014

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Tendências alimentícias para 2014: o toque exótico e a reinvenção do saudável

Em 2014 veremos que as tendências que tanto dominam os menus dos restaurantes, como as alternativas caseiras, abrangerão uma ampla gama de sabores e inovações, sem deixar de oferecer as opções saudáveis que tanto procuram os consumidores.

Top Ten de tendências alimentícias para 2014, preparada por uma equipe de mais de 100 chefs, donos de restaurantes e gourmets do mais alto nível.

1) Limão: ingrediente principal, seja em suco fresco ou em conserva.

2) Folhas de chá: para agregar um toque saboroso e saudável às refeições, sobremesas e outros produtos.

3) Condimentos do Oriente Médio: sumac, zaatar e Marash para expandir a gama de sabores da cozinha tradicional mediterrânea.

4) Derivados do leite e castanhas: extraídos das castanhas de cajú, amêndoas e amendoins procurando sabores lácteos para molhos, bebidas e refeições.

5) Gemas de ovos: como substituição do queijo, derivados do leite e molhos.

6) Clássicos americanos refinados: as versões de luxo dos pratos clássicos como a salada César.

7) Vapor e licores no prato: vinho, café, cerveja e fumaça de fluidos para substituir a água dos pratos mais saborosos.

8) Algas como aperitivo e condimento de umami - dizem ser o quinto gosto do paladar humano -, etc.

9) Inovações em massas: talharins feitos com farinhas alternativas, temperados com especiarias de qualquer lugar do mundo e com novas formas e tamanhos.

10) Sabores da fazenda sobre a mesa: opções exóticas de carne de cabra, coelho e pombo que pequenos produtores preparam para aqueles que procuram o bem-estar nas proteínas.

Texto traduzido do site http://www.alacartaparados.es

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Erros que devem ser evitados ao preparar pratos italianos

A cozinha italiana é uma das mais populares do mundo e como todas também têm suas regras. Entretanto, durante o natural processo de internacionalização, também sofreu desvios como tantas  outras cozinhas, como a espanhola por exemplo.


Grandes erros. Evite-os e aprenda a preparar suas receitas como um verdadeiro italiano.

1. A Água:
Adicionar o sal quando a água começar a ferver, nunca antes.

2. O Ketchup:
Nunca, jamais, em tempo algum! Se o molho de tomates acabou não pense que o ketchup possa substituí-lo. Nunca faça isso, pois para os italianos é um verdadeiro sacrilégio e consiste num verdadeiro e grave “crime gastronômico”.

3. Um tipo de Massa para cada tipo de Molho:
Comer espaguetes com molho bolognesa é um erro crasso para os italianos.  O molho bolognesa deve ser servido com tagliatelle. Para eles cada molho tem um tipo apropriado de massa correspondente.

4. Nunca como Acompanhamento:
Para os italianos as massas e o arroz (especialmente servido em risotos) devem ser servidos como “piatto único”. Servi-los como acompanhamento de outro prato é um equívoco para os puristas da gastronomia italiana. Além disso, os chamados “acompanhamentos” formados por saladas, por exemplo, são servidos em qualquer “osteria” entre o primeiro e o segundo prato. Não é habitual ver uma família italiana comer salada enquanto saboreia um prato de massa ou uma carne como segundo prato.

5. O Final:
Ao término de uma refeição, normalmente, é a hora do café. Os italianos costumam tomar um café “espresso” ou um café “ristretto”. Um italiano jamais pediria um “cappuccino” depois do jantar, pois esta bebida é para o desjejum.

Texto traduzido do site http://www.alacartaparados.es

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os 10 Mandamentos de um Chef

1 - Mantenha sua faca bem afiada
Sua principal ferramenta é a faca. Cuide bem dela e faça de cada momento de afiá-la um ritual importante. Lembre-se que se ela falhar não é culpa dela, é sua culpa!
2 - Trabalhe com as melhores pessoas
Para ser um bom chef você não precisa trabalhar com os 20 "top chefs". Precisa apenas trabalhar com 3 ou 4 bons chefs. O melhor não é necessariamente o mais famoso. Fique atento neles para sua formação (massas, carnes, enologia, etc…).
3 - Mantenha tudo em ordem
Desde o armazenamento dos vegetais até o preparo do seu "mise-en-place", tudo deve ser identificado com nome do produto e data. Durante o trabalho você não ficará estressado.
4 - Compre com sabedoria
Um restaurante funciona da mesma maneira que a cozinha de uma casa. Não desperdice nada, caso contrário, seu investimento irá por água abaixo. Um grande chef respeita o valor culinário de cada ingrediente, desde uma trufa até um simples nabo.
5 - Aprenda sobre as safras dos ingredientes
Os sabores dos ingredientes são muito melhores durante suas safras e se potencializam quando preparados e temperados corretamente. Saber isso requer desenvolvimento do paladar e prática constantes.
6 - Domine o fogo
De 60 a 600 graus existe uma enorme faixa de temperatura para cozinhar os ingredientes. Um bom cozinheiro desenvolve um sexto sentido que indica quando seu produto está pronto. Aprenda a dominar o fogo, assim você poderá cozinhar mais fácil com as diferentes formas de empregá-lo.
7 - Aprenda o mundo da cozinha
Não perca a oportunidade de conhecer as diferentes cozinhas e faça isso enquanto jovem, antes de construir sua carreira. Vai ajudá-lo a ser um bom chef no futuro. Mesmo que você já tenha começado a trabalhar, use seu tempo livre para conhecer novos restaurantes, compre livros. Em outras palavras, aprofunde-se no mundo da gastronomia.
8 - Aprenda os clássicos
Não importa qual é a cozinha de sua preferêcia, os pratos clássicos abrangem todas as técnicas e ingredientes necessários para aperfeiçoar uma cozinha.
9 - Aceite as críticas
Como jovem cozinheiro você será muito criticado e avaliado pelos chefs mais experientes. É importante aprender com as críticas e se preparar para quando for um chef experiente. Finalmente, aprenda com as críticas do público. Afinal de contas é ele quem vai dizer no que você está bom ou ruim. É o que vai mantê-lo constantemente renovando e aperfeiçodo.
10 - Tenha um livro de receitas
Ninguém é capaz de lembrar de tudo que já cozinhou, mas com um livro de receitas e uma câmera, você poderá registrar as coisas mais importantes que ajudarão pelo resto da sua carreira. Guarde as receitas que pareceram interessantes de cada lugar por onde tenha trabalhado.

Escrito pelo chef francês Daniel BouludTrancrito e traduzido do site espanhol "A La Carta para Dos".

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

12 Dicas para ser feliz na cozinha


1. Sonhe:
Sonhando com o futuro você vai construir um presente perfeito e um futuro sem limites. Quem sonha, vive e quem vive se fortalece.
2. Inove:
As suas idéias não são absurdas desde que saiba encontrar os ingredientes perfeitos  para alcançar o equilíbrio das suas criações.
3. Aprenda:
Tire lições positivas dos seus erros, pois eles são oportunidades para o autoconhecimento. Valorize-se pelo que você é e não pelo que aparenta ser.
4. Liberte-se:
Mas não se desconecte da realidade, já que somente sendo livre alcançará o melhor para você e para os seus.
5. Lute:
Para defender seus ideais e nunca se curve diante das adversidades. Assim suas forças serão conhecidas.
6. Crie:
Tudo que surge na sua mente poderá ser transformado através das suas mãos para criar arte, criar tendências, reviver a gastronomia.
7. Analise:
Observe tudo o que está ao seu redor, pois são os pequenos detalhes que fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.
8. Desfrute:
Desfrute de tudo que há de bom e tire proveito do lado ruim da cozinha. Cada segundo deve ser pura diversão para eliminar o estresse das nossas vidas.
9. Reaja:
Mas esteja consciente do que falar. O fundamento das suas palavras serão o reflexo do seu nível de preparação e estudo. A palavra de um chef será sempre uma palavra apaixonada.
10. Cuide-se:
Mantenha-se tranquilo e calmo frente a quaisquer circunstâncias. O tempo numa cozinha determina a qualidade da paixão que você sente pela gastronomia.
11. Sorria:
Sorria cada vez mais, porque rir reafirma sua vida, energiza o corpo e acalma sua mente. Torna você mais criativo, apaixonado e consciente do que e para quem você faz.
12. Ame:
A vida á fruto do amor, a comida á amor puro que se expressa através das nossas mãos. Ame a vida, ame sua profissão, ame o que faz, ame o mundo inteiro para que possa trascrever seus pensamentos em cada história que queira contar sobre cada prato.
Sinta a paixão de experimentar, sinta a razão de ser da sua vida, viva a gastronomia, viva com suas regras e seja sempre você mesmo.

Adaptado e traduzido do blog espanhol http://www.alacartaparados.es

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O que não te disseram antes de ser cozinheiro

Muitas pessoas me perguntam quando vou abrir um restaurante! Passeio meu olhar pelo infinito e mais uma vez respondo sem pestanejar:
- Nunca!
Mesmo não gostando da palavra "nunca", tenho a coragem de pronunciá-la. As pessoas ficam surpresas e vou logo explicando: Eu gosto de cozinhar, não de ter restaurante. As duas coisas guardam uma distância infinita. Um dono de restaurante não pode cozinhar, ou pelo menos não deveria. Precisa cuidar da gestão do negócio e das relações com os clientes, seu maior patrimônio.
Outro dia encontrei o texto abaixo que mostra de forma exagerada, muito exagerada, o lado nada romântico da profissão. Eu acho mesmo esagedado, mas concordo com muito do que está colocado nela.

_____ //_____

Somos cozinheiros que ama o que faz e estamos preparados para descobrir o melhor deste mundo da única forma como se deve fazer: cozinhando, sem medo e vencendo todos os obstáculos.

Estas são as 50 coisas que nunca te disseram antes de ser um Cozinheiro.

1. Quase sempre terá ferimentos e cortes nas mãos e braços.
2. Nunca conhecerá novas pessoas, porque sua vida social irá deteriorar-se, quase beirando a inexistência.
3. Terá dificuldade em estabelecer um relacionamento afetivo, porque o seu tempo "sozinho" passará a ser muito precioso.
4 . Vai perder suas habilidades sociais.
5. Seu senso de humor chegará a ser o politicamente incorreto e socialmente não aceito.
6. Você começará lentamente a insultar as pessoas como um marinheiro e pior: não se dará conta disso!
7. Você vai se tornar um obcecado e sempre irá tentar mudar o rumo de uma conversa para o campo da gastronomia.
8. Você vai conseguir economizar uma ninharia por anos e décadas.
9. Vai ganhar ou perder muito peso.
10. Nunca mais exibirá um corpo bronzeado.
11. Não se tornará famoso.
12. Irá adquirir uma ou mais dependências, como café, tabaco, álcool, bebidas energéticas, jogos de azar e até drogas mais pesadas.
13. Seus pés ficarão detonados.
14. Suas costas ficarão quebradas.
15. Suas mãos ficarão devastadas.
16. Você vai viver num estado de privação de sono por tempo indeterminado.
17. Vai ter que pedir aos seus amigos para fazerem planos baseados na sua agenda, que estarão sempre contra sua disponibilidade, porque você nunca saberá seus dias de folga com antecedência e provavelmente não conseguirá ajustá-los.
18. Você vai se tornar uma pessoa muito nervosa.
19. Terá muitas crises de mau humor.
20. Você vai se dar conta da falta de eficiência e senso comum de outras pessoas e sua tolerância será cada vez menor.
21. Você vai passar muito tempo de sua vida trancado num espaço pequeno, sem decoração, com pouca ventilação, elevadas temperaturas, muito ruído, umidade, sem luz natural ou janelas, com um grupo de pessoas que se tornará sua única opção de interações sociais.
22. Vai trabalhar mais horas do que jamais imaginou e muito acima do legal.
23. Você vai passar suas horas em pé, sem a chance de se sentar nem 5 minutos.
24. Sua jornada de trabalho mais curta será muito mais longa que as mais longas de muitas pessoas.
25. Não vai cozinhar nada gourmet em casa. Vai ficar muito cansado, física e mentalmente para cozinhar por prazer.
26. Provavelmente começará a comer fast food com frequência e macarrão instantâneo.
27. Você estará sujeito a abuso físico ou emocional. Oficialmente, será uma prova de seu "personagem". Na verdade, essas provações serão vistas como treinamento de maturidade.
28. Você vai passar tanto tempo no trabalho que seus colegas vão conhecê-lo melhor do que o seu cônjuge, familiares e amigos.
29. Vai formar fortes laços de amizade com pessoas, as quais nunca pensou que fosse capaz de compartilhar uma conversa.
30. Vai viver num permanente estado de estresse.
31. Nunca será insubstituível e sempre será demandado a render 110% de sua capacidade.
32. Estará sempre cansado.
33. Não terá direito de ficar doente por uma ressaca matinal.
34. Será esperado que coloque o seu trabalho em primeiro lugar, antes de qualquer outra coisa particular da sua lista de prioridades.
35. Nunca será parabenizado por seu trabalho.
36. Será esperado que trate seus superiores como mestres autênticos e que nunca seja insubordinado, mesmo quando estiver coberto de razão.
37. Vai ser muito difícil ver os seus amigos cozinhar.
38. Sua mãe não vai mais cozinhar para você. E se sentirá envergonhada.
39. Você será demandado a cozinhar nas celebrações familiares como o Natal, Ano Novo, todos os anos. Felizmente, pelo menos um em cada dois anos, você vai estar trabalhando nessas ocasiões.
40. Pelo menos uma vez a cada dois anos, ou talvez a cada ano, você vai trabalhar no Natal, Ano Novo, Páscoa, Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais e no dia do seu aniversário.
41. Terá que trabalhar muitos anos em cargos insignificantes antes de conquistar um nível mínimo de autoridade no trabalho.
42. Quanto maior for o restaurante, maior será o número de horas que você vai trabalhar, mais pressão irá sofrer, vai manter um estilo de vida menos saudável, vai desenvolver uma dependência mais rapidamente e mais competitivas serão as pessoas ao seu redor, menos horas de sono, comerá menos, etc.
43. Frequentemente você vai cometer erros e cada vez que cometer um, alguém vai notar e você vai achar que é um desqualificado porque só os desqualificados cometem esse tipo de erro.
44. Se você for mulher, estará constantemente sujeita a comentários machistas e piadas inconvenientes, assédio sexual, desprezo e comentários sobre sua TPM.
45. Nenhum dos seus amigos ou familiares vai entender seu trabalho e você não será capaz de fazê-los entender.
46. Você vai gastar um monte de dinheiro em equipamentos e utensílios, livros, comer em bons restaurantes e não vai sobrar muito para outras coisas.
47. Irá desenvolver uma obsessão assustadora por facas.
48. Se você é um padeiro, irá desenvolver uma obsessão assustadora por colheres.
49. Erupções vão aparecer pelo corpo, devido o estresse e a mistura de calor, atrito e suor.
50. Se você é esse tipo de pessoa, vai agradecer seu anjo da guarda todos os dias de sua vida por ter ajudado você a tomar a decisão de ser um Chef. Você vai adorar seu trabalho e nunca olhará para trás.

Se você é capaz para suportar todas estas coisas ou já suporta, PARABÉNS, você foi graduado como Cozinheiro.


Artigo original escrito em inglês por: Robert A Lhulier. - http://forkncork.blogspot.com/2013/03/50-things-they-never-told-you-about.html

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Polêmico Foie Gras


Paul Bocuse, chef francês, no meu conceito continua sendo "il capo di tutti capi" em matéria de gastronomia. Ele dedica um texto dentro do capítulo “As Aves” de seu livro “A cozinha de Paul Bocuse” especialmente ao Foie Gras... e não é sem razão!
Esse livro foi um dos belos presentes que a Suzy me deu e já tem muitos e muito anos... Na verdade já nem sei quantos! Quisera ter o mesmo bom gosto e idéias que ela tem para os presentes... pobre de mim!
Esse livro é impresso em papel muito chinfrim, como aqueles dos jornais, capa mole, impressões muito simples e não tem absolutamente nenhuma fotografia, além da capa. Porém, é nele que busco a grande maioria dos esclarecimentos que preciso, entre os inúmeros livros da minha biblioteca pessoal de culinária e gastronomia já bem grandinha. Para não cometer injustiças, Gualtiero Marchesi, Antonio Carluccio e alguns outros poucos também são constantemente visitados.

Carluccio, por exemplo, pouco conhecido por aqui, é o grande mestre inspirador daquele menino-elétrico inglês, Jimie Oliver... Gosto dele, tenho os livros dele, faz coisas boas, rápidas, mas um tanto aceleradinho e pouco higiênico para que eu me torne grande admirador dele. Fácil, fácil, prova a comida com o mesmo talher que está cozinhando. Leva à boca sem cerimônia e volta pra dentro da panela, até na TV... e eu não gosto dessa parte! Como para mim os princípios de higiene e respeito ao próximo são muito rígidos, prefiro e me identifico mais com a discreção, tranquilidade e a profundidade do seu professor Antonio Carluccio.

Entre os ensinamentos consolidados na infância, recebidos dos meus "pilares referenciais" de educação está o de que, sempre que possível, devemos falar diretamente com "Deus"... porisso vou direto ao Gualtiero Marchesi, Paul Bocuse, Antonio Carluccio, Nadia Santini... Com esses é possível aprender muito. Os outros são efeitos especiais e pirotécnicos da mídia!


Mas vejamos o que diz Paul Bocuse sobre o foie gras:

“A aquisição de um foie gras exige uma certa experiência ou, pelo menos, um mínimo de informações.
O mercado oferece, sem distinção, fígados de ganso e fígados de pato. Os primeiros são superiores aos segundos, sobretudo para os pratos quentes.
Certos fígados de belo aspecto se tornam cinzentos quando cozidos, outros aparecem cheios de filamentos escuros, e outros ainda se derretem, transformando-se em gordura líquida sob a ação do calor.
É preciso reconhecer esses defeitos no momento da compra, o que não é fácil.
Para isso, aconselhamos a afastar os dois lobos e verificar o interior. Recusar rigorosamente os fígados que não tiverem uma definida coloração rosada, bem como os que tiverem estrias de minúsculas veias escuras. Para julgar a qualidade, tirar com a ponta da faca, no interior de um dos lobos, um pedacinho do tamanho de uma ervilha. Rolar essa massa de leve entre o polegar e o indicador; o calor dos dedos a amolecerá, ou ela permanecerá untuosa e lisa, ou, tornando-se oleosa, ela se desmanchará.
Sempre comprar o fígado de uma coloração bonita e francamente rosada, sem veias e cuja carne, após a prova acima, permaneça lisa e untuosa.”

É claro que na França, onde felizmente ainda vive Paul Bocuse, é possível encontrar o foie gras fresco, fazer as constatações recomendadas e os testes que ele menciona. Por aqui fica bastante mais complicado, pois não é tão disponível e acessível, certamente pelo menor consumo, sem levar em conta o elevado e quase proibitivo preço, custando cerca de R$ 200,00 o quilo do foie gras de pato. O de ganso não tenho nem idéia.

Além de tudo isso, imaginem pensar em comprar um foie gras fresco por aqui! Não que seja impossível, mas acho que só poderia ser por encomenda!... e para ter a certeza das qualidades e características já vistas, só conhecendo bem - e com relativa antecedência - um fornecedor ou produtor.

No jantar que fizemos em Fevereiro passado, como parte do cardápio de um ciclo de workshops culinários que fazemos com um grupo de amigos, a compra do foie gras foi guiada pela recomendação de um dos mais respeitados chefs, o Laurent Suoudeau.
Certa vez participamos de um jantar preparado por ele há uns cinco anos em Campinas, no Restaurante Matisse. Naquela noite Laurent preparou como parte do cardápio, uma belíssima entrada, "Sabayon de Couve Flor ao Foie Gras". Depois de, literalmente suar a camisa na cozinha, visitou todas as mesas espalhando sua costumeira simplicidade, simpatia e atenção. Quando chegou até nós, entre as tantas perguntas que fizemos, falamos do foie gras. Ele contou que seu fornecedor preferencial, a Agrivert, inclusive de magret, era de Valinhos. Disse mais: “É um dos melhores que conheço”.
Que surpresa boa! Um produtor de foie gras e magret em Valinhos! Que coisa mais doida, pensei! E ainda por cima, fornecedor do Laurent Suoudeau e elogiado por ele! Fiquei com aquela informação guardada na contra-capa do livro “O Sabor das Estações” que comprei naquela noite muito especial e veio me servir agora, tantos anos depois, quando escolhemos brincar com essas maravilhosas especiarias e começamos a preparar o cardápio do nosso 4º encontro.

O que eu nem imaginei naquele dia é que esse fornecedor ainda viria me causar uma segunda boa surpresa!

Viajando por Siena no ano passado, fomos visitar a Osteria Le Logge, como sempre fazemos quando estamos passeando por lá. Nessa interessante osteria do falecido Gianni Brunelli, que tive o prazer de conhecer, um produtor de rossos e brunellos de Moltalcino, provamos uma entrada de berinjelas com fatias de magret defumado, funcho e folhinhas de rúcula, sobre uma caminha de molho de carne! Uma delicia!
Não faz muito tempo resolvemos preparar aquela berinjela como parte de um cardápio de um dos workshops. Comecei a procurar um magret defumado aqui pela região... primeiro nos meus amigos Juliatto - Robson e Roberto, depois no Santa Verena, Pão de Açúcar... Nada! O jeito foi improvisar e substituir o ingrediente por um peito de frango defumado. Algum tempo depois acabei encontrando em São Paulo, na Santa Luzia da Alameda Lorena.
Dias depois, localizei o site da Agrivert na internet, me cadastrei e pedi uma lista de produtos com preços, etc. Recebi bem rapidinho e entre uma bela lista de opções estava um magret defumado! Aqui, em Valinhos! Assim aconteceu a segunda boa surpresa!


Pior que não acabou! Ainda estava por vir a terceira surpresa! Até parece as profecias de Fátima!

Dois dias antes desse mais recente workshop, resgatei os dados e liguei para a Agrivert, o produtor de foie gras e magret. Confirmei a ida e o que queria. Num dos pontos mais altos de Valinhos indo pela estrada velha de Itatiba encontra-se a Agrivert. No processo de compra a vendedora anotou todos os meus dados, entre eles o endereço. Depois de ver meu endereço, espontaneamente me disse:
- O senhor deve morar perto do Dr. Alexandre.
- Que Alexandre? Perguntei.
- Nosso patrão! O dono daqui.
- Ele mora em Valinhos? Continuei o papo.
- Mora... e deve ser bem pertinho da casa do senhor porque o nome do condomínio é o mesmo.
- Puxa! Que coincidência!

Ficou nisso.

No final da tarde toca o telefone de casa. Quem era? O Alexandre. Mundo pequeno! Ele mora há duas quadras de casa e não nos conhecemos... Ainda! Sinal dos tempos.
Conversamos bastante, ele me deu muitas informações úteis sobre os produtos, contou um pouco da história da Agrivert e da relação com o Laurent, muitas coisas enfim. Me disse que não precisava ir até lá, que bastava pedir que mandava entregar os produtos em minha casa ou eu pegaria na casa dele num final de tarde. Ainda vamos nos encontrar pessoalmente.
Assim foi a terceira boa surpresa motivada por esse polêmico Foie Gras!

Sei que o tema foie gras tem ligação íntima com o tema CRUELDADE pelo manejo das aves, forma de alimentá-las, etc., mas escolhi não falar desse tema, ainda mais polêmico, nesse texto. Talvez aborde em separado.

Fizemos o workshop e tudo saiu muito bem. O Foie Gras foi acompanhado por peras, ameixas e pêssegos salteadas com calda agridoce e harmonizado com vinho Oporto. Um sucesso na harmonização!
Qualquer hora dessas coloco as receitas completas de todos os pratos no Cozinha Ousada.
Saúde a todos.